Sons do Nordeste

terça-feira, 8 de maio de 2018

Afoxé

Afoxé Bamboxê

No ritmo do ijexá e com a proteção de Xangô, divindade yorubana do fogo, do trovão e da justiça, o Afoxé Bamboxê apresenta à cidade o resultado do encontro de diferentes referências musicais, propondo melodias mais contemporâneas que valorizam desde o samba de caboclo e as ladainhas de capoeira, até a batida eletrônica do hip-hop, como na canção Pajelança Nagô. Fruto da ousadia de jovens e da sabedoria dos mais velhos, o Bamboxê é a cara do Nordeste de Amaralina: criativo, ousado e elegante. Inspirados no simbolismo do afoxé Filhos de Gandhy (afoxé da paz) e na força transformadora do Ilê Aiyê e Malê Debalê, blocos afros com expressiva participação em suas comunidades de origem, a proposta do Bamboxê é sensibilizar as pessoas através da arte.



Criado em 20 de novembro de 2009, o Afoxé Bamboxê é formado por 12 músicos do Nordeste de Amaralina, praticantes do candomblé e umbanda, e cerca de mil associados. Além de renovar a cena cultural da cidade, o Bamboxê busca realizar atividades educativas e sociais, incluindo também as linguagens da dança, capoeira e resgate histórico da cultura de matriz africana na comunidade do Nordeste de Amaralina.   
A proposta de  desfilar no Carnaval de Salvador no circuito Mestre Bimba surgiu do trabalho de mobilização e autoestima que vem sendo realizado junto aos terreiros de candomblé do Nordeste de Amaralina e entorno para a Caminhada do Povo de Santo Gangazumba, realizada, desde 2011, no último domingo de setembro. A ideia inicial era registrar vozes e cantigas marcantes nas religiões de matrizes africanas da localidade, no entanto a experiência inspirou a produção de cantigas autorais, que surgiram com o objetivo de abordar temas educativos, da cultura da paz e de combate à intolerância religiosa, bem como a valorização de personalidades importantes para a comunidade.
Temas como o combate à violência, ao uso de drogas e à injustiça social estão presentes no repertório do Afoxé, que também busca a valorização da vida, da diversidade cultural e de gênero, como nas canções Me dá Paz, Nordeste Bonito, Sai do Armário e Tributo ao Menino, esta última uma homenagem ao jovem capoeirista Joel, morto injustamente em uma operação policial na comunidade em novembro de 2010. “(...) Água pra limpar maldade, pegue a onda do amor. Tire o dedo do gatilho e vem dançar nesse kaiodô”, diz a canção.
O Afoxé Bamboxê  é uma contribuição valiosa para a memória da cultura da região, com forte influência da musicalidade do Recôncavo Baiano, das ladainhas de capoeira, dos toques dos terreiros de Ketu e Angola. Por isso, propõe o encontro de diferentes referências musicais, com melodias mais contemporâneas que valorizam desde o samba de caboclo e as ladainhas de capoeira, até a batida eletrônica do hip-hop.  


No repertório  tem 28 faixas musicais, compostas pelos membros do Afoxé Bamboxê e resultante da interação cotidiana com os terreiros, os pescadores, os capoeiristas e os mercadores (vendedores ambulantes). São canções, que acima de tudo, falam a uma coletividade, "tocando" a mente e a alma da juventude periférica e afrodescendente, e com forte poder de sedução rítmica. Desta maneira, trata-se de um produto cultural de fácil inserção nas rádios locais, em programas televisivos, nas redes sociais, entre outros espaços de difusão cultural.

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